Ó palavra, tu palavra que me falta! – Reflexões sobre música e linguagem

Mário Vieira de Carvalho

Resumo


Tomando como ponto de partida as teses de Eggebrecht (1999) que negam o caráter de linguagem da música, revisito neste artigo alguns aspetos do debate sobre música e língua, música e linguagem, procurando alargar a abordagem interdisciplinar do assunto. A discussão orienta-se no sentido da contestação dessas teses, representativas de um determinado cânone musicológico, e é desenvolvida seguidamente em torno dos seguintes tópicos: os processos de verbalização e desverbalização da música examinados numa perspetiva histórica; a analogia entre desempenhos musicais coloquiais e desempenhos linguísticos coloquiais (conversação ou fala), por oposição aos desempenhos apresentacionais (baseados num texto escrito ou notado); a contraposição entre o simbólico e o semiótico e a sua relevância para a discussão da problemática da música como linguagem; o reexame crítico do mito de Apolo e Marsias e as suas repercussões histórico-antropológicas até à atualidade; e, finalmente, as questões específicas levantadas pela interpretação musical nos desempenhos apresentacionais. Concluindo, defendo que o caráter de linguagem das práticas musicais se manifesta na semiose interminável e ilimitada a que elas dão origem como práticas sociais, tornando-as, por um lado, próximas da comunicação linguística, e, por outro lado, paradigmáticas da comunicação artística.


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