«Uma gritaria pavorosa»: A prática musical em Portugal em 1801, segundo a alemã Esther Bernard

Inês Thomas Almeida

Resumo


Os relatos de viajantes estrangeiros em Portugal na passagem do século XVIII para o século XIX constituem ferramentas preciosas para conhecermos melhor a prática musical portuguesa no final do Antigo Regime. No entanto, esses relatos não são, regra geral, inócuos e trazem consigo uma narrativa implícita relacionada com a realidade de quem escreve. Para uma maior compreensão das práticas musicais no período em estudo, é necessário o confronto do material em questão com o contexto social, cultural, musical, histórico e pessoal em que foi produzido. Neste estudo será analisado o relato profícuo de Esther Bernard, uma das raras mulheres viajantes deste período, proveniente dos circuitos da intelectualidade pré-romântica berlinense, que manteve uma convivência próxima de Schleiermacher, Schlegel, Jean Paul, Walter Scott e Lord Byron. Viveu em Portugal entre 1801 e 1802 e escreveu dois volumes especificamente para o público dos salões cultos de Berlim. Partindo das suas descrições dos teatros de ópera, do Convento de Mafra, da música doméstica, das danças populares e dos salões privados, pretende-se enquadrar criticamente e contextualizar os relatos de Esther Bernard, contribuindo para um melhor conhecimento da prática musical portuguesa e procurando compreender de que forma estes textos influenciaram a percepção de Portugal no circuito erudito dos salões berlinenses.


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